Alvi-rubro
Lua, cheia e veemente, Do céu regente de quando ele vai Avançando indiferente Do seu curso alto, que depois cai; Lua, tu cresces também, Pois como que te entristeces E vai mal, então vai bem… Lua, só tu me conheces. Tua destinação sempre perdura, Nosso tão terno e eterno consolo; Manda benção, manda a cura Para este coração em rebolo. Luza aquele sobre os campos distantes Enquanto lanças a mirada fluida Nestes pobres vacilantes E cuidas de quem descuida. Cobre um quarto de mim, Então dois e, do terceiro em diante, Completa este meu grão carmesim Que se expulsa de instante em instante. Lua, tua imagem faz Este mar, cada mulher Que aponta para um porto de paz E nos diz o que a Vida nos quer. E se a noite é difícil, Lua vaga, Se vai de nós todo o brilho, branca alma, E por ser grande o sacrifício de alcançar a paga, Faz tua luz de ladrilho, Verte a dor, tão nossa, em agalma.

